Lembranças do fundo do poço.
A dor e o desconforto da noite anterior revelam o grau de incapacidade pessoal para enfrentar meus sentimentos, decepções, as perdas e frustrações na realidade vivida com o outro, tão comuns, naturais e freqüentes nas relações sociais do cotidiano. Sempre que minha leitura da realidade aponta o enfrentamento como uma situação incontornável, gera uma inevitável antecipação da possibilidade de dor e sofrimento inerentes a situação.
Esta ameaça à minha estabilidade emocional é produto da vulnerabilidade da perda, que nestes momentos resgata emoções de mágoas e insegurança profundamente encarceradas. Uma distorção tão oculta e desagradável dos meus sentimentos que gostaria de poder esquecê-las, principalmente porque ainda me furtam a oportunidade de viver o desafio de extravasar de forma positiva a raiva que a mágoa provocou e que faz com que eu receie que libertá-la me transforme numa pessoa “ruim”. Na medida em que bloqueio este sentimento de raiva, internalizo um volume poderoso de energia negativa, objetivando tamponar uma imensa quantidade de dor, o que produz um alto custo de sofrimento individual.
Por isto, diante da impossibilidade de exteriorizar esta raiva na direção exata daquilo que produziu a mágoa inicial, procurei serenidade através de exercícios respiratórios e meditação, para reunir as forças que me fizeram entrar em contato direto e intenso com os meus sentimentos. Tais estratégias levaram-me a reflexão sobre todo o processo vivido, procurando entender como evitar o que me levou, de forma tão evidente, a supervalorizar a frustração da expectativa da visita que não veio ontem.
Ainda assim, tive uma péssima noite de sono, entrecortada por diversos pesadelos sempre vinculados a situações de discussões e discórdia com minha esposa a mãe de meu filho.
Apesar da noite mal dormida, hoje acordei bastante bem humorado, embora muito sonolento. Tomei o café da manhã e, logo após, participei das atividades, assisti a palestra do Conselheiro em Dependência Química da clínica sobre o tema RECAÍDA.
Muito proveitosa e esclarecedora, a palestra propiciou-me a oportunidade de reconhecer-me em diversos pontos abordados, tratando de forma simples algumas informações importantes, as quais tento aqui partilhar com os leitores neste valioso espaço de comunicação, debate e esclarecimento sobre o problema das drogas.
RECAÍDA
A Síndrome da Dependência Química é uma doença com bases identificadas, no medo de crescer e no medo da responsabilidade.
A recaída é um processo que culmina com o uso, produz conseqüências emocionais ou psicológicas, cujos extremos podem ser identificados como a retomada do uso, insanidade ou loucura e a morte.
Sinais e Sintomas que denunciam a entrada no processo de recaída:
1. Porre Seco – Irritabilidade e intolerância constantes;
2. Porre Adormecido – Apatia, desmotivação e fuga pelo sono;
3. Desafio e a Grandiosidade – Freqüência a lugares de adicção ativa, companhia de pessoas em adicção ativa e postura de que “acha que sabe tudo.”
Curva da Recaída:
1. Mudança na percepção da doença e das necessidades do tratamento;
2. Antigos padrões de comportamento voltam a ser atuados;
3. Tentativas de impor os seus padrões aos demais;
4. Comportamento compulsivo (sexo, trabalho, compras, jogo, etc.)
5. Atitudes defensivas diante do confronto;
6. Comportamento compulsivo, intempestivo e raiva;
7. Tendência ao isolamento e solidão;
8. Visão de túnel (obsessão)
9. Falta de planejamento construtivo;
10-Fuga através do sono, indiferença;
11-Passa o tempo sonhando acordado;
12-Planos calcados em metas inatingíveis;
13-Pensamento do tipo bem que eu tentei, mas não funcionou, começam a tomar conta;
14-Imaturo desejo de ser feliz;
15-Diferenças e Indiferenças;
16-Confusão mental;
17-Irritabilidade com parentes, amigos e colegas de tratamento;
18-Comportamento explosivo;
19- Hábitos irregulares de alimentação;
20-Sensação de estar sobrecarregado;
21-Incapacidade de cumprir compromissos;
22-Diminui a freqüência às reuniões (A.A., N.A., etc.);
23-Distúrbios do sono.
"É fato muito comum as pessoas comentarem sobre qualquer fenômeno como se ele fosse um evento isolado, fechado sobre si mesmo. Geralmente ignoram que a vida é uma complexidade de causas e conseqüências."
percurso vida
"Para vencer o medo que temos, necessitamos dos
conhecimentos que ainda não temos. Para conhecer mais, formulamos hipóteses que reforçam nosso medo e nossa curiosidade; insistindo no processo, vamos criando novos medos e preconceitos ou chegamos ao prazer do conhecimento."
percursovida@hotmail.com
"No simples ato de ouvir podemos ajudar e transmitir paz a alguém, por isso fazer o bem pode ser mais fácil do que imaginamos, uma conversa, atenção, uma demonstração de amizade verdadeira, de valorização e apoio, pode ajudar muito alguém que esteja passando por dificuldades. É só pensar nisso e praticar dentro do possível."
conhecimentos que ainda não temos. Para conhecer mais, formulamos hipóteses que reforçam nosso medo e nossa curiosidade; insistindo no processo, vamos criando novos medos e preconceitos ou chegamos ao prazer do conhecimento."
percursovida@hotmail.com
"No simples ato de ouvir podemos ajudar e transmitir paz a alguém, por isso fazer o bem pode ser mais fácil do que imaginamos, uma conversa, atenção, uma demonstração de amizade verdadeira, de valorização e apoio, pode ajudar muito alguém que esteja passando por dificuldades. É só pensar nisso e praticar dentro do possível."
Falo pelas minhas palavras e com o meu coração. Não sou nenhum profissional da
área médica, sou um “experiente” dependente químico.


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